Dia de Mercado

Ao vender produtos locais frescos, os mercados de produtores dão-nos o verdadeiro sabor do Algarve.

Seja nas aldeias do interior ou nas cidades costeiras do Algarve, os mercados de produtores são parte integrante da vida portuguesa. Todos os sábados, a agitação de sons e sabores atrai residentes locais e turistas em busca de produtos locais e sazonais, cuja variedade ultrapassa a de qualquer supermercado. Desde fruta fresca em tons vibrantes e vegetais de todas as cores e feitios a ervas aromáticas, charcutaria cortada com precisão, flores coloridas ou o tradicional bacalhau - os mercados da região têm um pouco de tudo, e o ambiente é o mais autêntico possível.

Apesar de existirem vários mercados no Algarve, geralmente organizados aos sábados de manhã - lado a lado com os mercados municipais permanentes -, os de Armação de Pêra e de Loulé são dois dos melhores da região.

A apenas cinco minutos de carro do VILA VITA Parc, o mercado de sábado em Armação de Pêra é ideal para os que apreciam a qualidade dos produtos locais e a oportunidade de conviver com os locais. O mercado municipal é um edifício simples e moderno no centro da cidade, onde se pode encontrar, ao longo de toda a semana, fruta, vegetais, mel, compotas, carne e peixe acabado de pescar. É no exterior, contudo, que dezenas de vendedores locais oferecem os seus produtos todos os sábados de manhã até às 13h30. Há vegetais coloridos, fruta, cereais e plantas de viveiro - cenouras, courgettes, cebolinhas, batatas, beringelas, batata-doce, cebolas, tomates, pepinos (incluindo em miniatura), morangos, framboesas e mirtilos, grão e uma grande variedade de feijões e azeitonas -, a maioria dos quais cultivados nos arredores de Silves e de Alcantarilha por agricultores que já vendem no mercado há décadas. Como na maior parte dos mercados da região, há também presunto, enchidos e queijos, ovos frescos, mel (produzido em Messines), pão cozido em forno de lenha e bolos caseiros. Mas, o mercado de Armação de Pêra destaca-se particularmente no que diz respeito a frutos secos, vendendo amêndoas, cajus e nozes, alperces, tâmaras, passas e, claro, o típico figo algarvio nas suas muitas formas. Uma iguaria regional é o queijo de figo, que de queijo não tem nada - trata-se de um doce feito com figo seco (e muitas vezes também com amêndoa e alfarroba), mas os mais gulosos irão ainda encontrar bolachas, tartes e os tradicionais doces do Algarve (pequenos doces em tons pastel feitos de maçapão).

À volta do mercado existem muitos cafés e restaurantes, nos quais os clientes podem beber um refresco nas esplanadas solarengas ou pedir o menu de almoço, com os seus vários pratos do dia.

O mercado é incrivelmente internacional e é um dos favoritos dos residentes e dos turistas. Por este motivo, apesar de ser mais fácil estacionar neste mercado do que nos outros da região, os meses de verão conseguem ser mais agitados - tente fazer a sua visita antes das multidões chegarem, pelas 9h30.

Mais para o sotavento algarvio, a cidade de Loulé oferece uma das mais autênticas experiências de mercado regional. Um ponto de encontro para os locais e o núcleo da comunidade há décadas, o mercado municipal remonta a 1905, quando foi construído em estilo Art Nouveau. Desde então, venceu vários prémios e, apesar das renovações ao longo dos anos, continua a ser um marco importante da vida económica e social dos residentes de Loulé.

O mercado interior permanente está aberto de segunda-feira a sábado até às 15h, com uma enorme seleção de produtos e artesanato - a carne e o peixe (em particular o marisco) são pontos de destaque. Aos sábados, contudo, os produtores locais chegam logo ao nascer do dia para receberem as hordas de visitantes que ali vão de propósito, independentemente do estado do tempo. Este é um mercado de produtores no seu melhor e tanto os vendedores como os clientes marcam lá presença desde que se lembram. Arquibaldo Rodrigues, por exemplo, um animado agricultor, vende os seus vegetais, que cultiva perto de Alte, há cerca de 35 anos. A sua mulher vende fruta no stand ao virar da esquina, e o seu cunhado comercializa ervas aromáticas e plantas de viveiro no stand ao lado. Conhecem os locais pelo nome e gostam de mostrar os seus produtos aos estrangeiros que visitam o mercado pela primeira vez.

Uma paragem obrigatória para os amantes de comida, o ponto alto deste mercado é, sem dúvida, os seus vegetais e fruta, alguns cultivados biologicamente e cada um mais vibrante e de aspeto mais suculento do que o anterior. Tomates carnudos, pimentos coloridos e abóboras de formatos estranhos ficam lado a lado com as cebolinhas, batatas-doces, beterrabas, courgettes, alhos-franceses, favas, rabanetes rosas e pretos, morangos, melões e mirtilos; todas as cores do arco-íris estão à mostra nas dezenas de bancadas.

De facto, a cor abunda em cada canto, especialmente na banca das flores, repleta de tons de rosa, laranja, amarelo, roxo e branco, sob a forma de rosas, cravos, ervas-bezerras e plantas suculentas, vendidas ao lado dos tradicionais cestos de verga. Tente visitar o mercado durante a primavera ou verão, quando as flores estão a desabrochar em toda a sua glória.

Há também uma seleção invejável de ervas aromáticas e de plantas, e o aroma a coentros, manjericão, hortelã, alecrim e poejo faz antever as outras variedades disponíveis. Numa bancada em particular, estas ervas e muitas outras são cuidadosamente misturadas por Marta Lourenço, que as cultiva em Santa Bárbara de Nexe para serem utilizadas na cozinha (a mais popular é uma combinação mediterrânica de orégãos, alecrim e tomilho) ou sob a forma de chá. Com combinações “anti-inflamatórias” e “digestivas”, os chás mais populares são os que auxiliam o sono - a mistura “Bons Sonhos” contém camomila, lavanda, flor-de-limão, erva-príncipe e flor-de-laranjeira - e Marta sublinha que são muitos os médicos que lhe compram chás pelas suas propriedades anti-inflamatórias ou purificantes.

Quem também aproveita o poder curativo da natureza é o apicultor José Martinho Rodrigues que, para além dos potes de mel de alecrim, lavanda e de flor-de-medronheiro produzidos nas montanhas de Loulé, vende ainda própolis, uma “cola das abelhas”, que é um antibiótico natural conhecido por combater infeções e curar feridas. Para além do mel em si, este bálsamo de saúde também é vendido na sua forma mais pura em pequenos frascos conta-gotas - pode ser adicionado à comida ou aplicado diretamente na gaze ou ferida.

As restantes bancadas do mercado contêm as habituais iguarias do Algarve: frutos secos, azeitonas, piri-piri caseiro (aviso: é mesmo muito picante!) e, como não podia deixar de ser, tremoços - um snack muito comum nos bares portugueses como acompanhamento de uma cerveja fresca. As filas maiores alinham-se nas bancadas da charcutaria - os queijos (de vaca, ovelha e cabra) são maioritariamente da região do Alentejo, mas também há uma grande diversidade de enchidos produzidos localmente, incluindo chouriço de sangue, salsichas de porco preto e branco, morcela e alheira, bem como o famoso presunto.

O mercado de produtores é popular o ano inteiro, mas há maior variedade e quantidade durante os meses de verão. Apesar de o horário de funcionamento ser das 7h às 13h30, vale a pena chegar cedo para assegurar estacionamento e comprar os melhores produtos. Nos mercados de sábado, o pássaro madrugador fica mesmo com a minhoca.

Texto de Cristina Alcock

Fotos de Hélio Ramos